Exportar este item: EndNote BibTex

Use este identificador para citar ou linkar para este item: http://www.bdtd.ueg.br/handle/tede/1898
Tipo do documento: Dissertação
Título: Dialogismo, Normatização Discursiva e a perda do “Direito de Dizer” na padronização das redações do Enem: uma análise do Guia e da Cartilha do Participante
Título(s) alternativo(s): Dialogism, Discursive Standardization, and the loss of the “Right to Say” in the standardization of Enem essays: an analysis of the Participant Guide and Handbook
Autor: Clara, Daniella Silva Araújo 
Primeiro orientador: Carvalhaes, Wesley Luis
Primeiro membro da banca: Carvalhaes, Wesley Luis
Segundo membro da banca: Almeida, Liliane Barros de
Terceiro membro da banca: Carreira, Rosângela Aparecida Ribeiro
Resumo: O presente trabalho Dialogismo, normatização discursiva e a perda do “direito de dizer” na padronização das redações do Enem: uma análise do Guia e da Cartilha do Participante vincula-se à linha de pesquisa Cultura, Escola e Formação do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Goiás (PPGE-UEG/ Unidade Universitária de Inhumas). O estudo objetiva analisar como as normas discursivas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) influenciam a produção textual e condicionam as possibilidades de expressão dos participantes, considerando as tensões entre práticas institucionais, pedagógicas e letramento crítico. Teoricamente, fundamenta-se em Bakhtin (2003, 2016, 2017) e Volóchinov (2021), que concebem a linguagem como prática social e dialógica, constituída nas relações entre sujeitos e nas condições históricas de produção e dialoga com Street (1984, 1993, 2014), Kleiman (1995) e Soares (2023), que discutem os modelos de letramento e suas implicações pedagógicas para o ensino da escrita. No campo linguístico, a pesquisa apoia-se em Antunes (2009) e em Marcuschi (2008, 2012), para compreender gêneros textuais, produção escrita e o funcionamento da linguagem em contextos reais de uso. Considera-se também o contexto das políticas educacionais para o ensino de Língua Portuguesa, especialmente as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Trata-se de uma investigação qualitativa, fundamentada no materialismo histórico-dialético, com procedimentos de análise documental, textual e discursiva. O corpus incluiu o Guia, a Cartilha do Participante, e duas redações exemplares divulgadas pelo exame. Busca-se responder à seguinte questão: como a normatização discursiva presente no Guia e na Cartilha do Participante do Enem contribui para a padronização das redações e a perda do “direito de dizer” dos estudantes? Os resultados evidenciam que os documentos oficiais do Enem instituem um modelo de escrita pautado na clareza, objetividade e pretensa neutralidade, promovendo a homogeneização discursiva e restringindo o “direito de dizer”, pois moldam o sujeito-escritor segundo parâmetros institucionais que minimizam a expressão de experiências, memórias e perspectivas singulares. Ainda assim, o estudo aponta possibilidades de resistência e construção de um letramento crítico, que reconhece a escrita como prática social e espaço de autoria. Por fim, a pesquisa mostra que a normatização discursiva configura uma forma de violência simbólica ao restringir o posicionamento crítico dos estudantes, mas também revela a necessidade de práticas pedagógicas que ressignifiquem a escrita como espaço de criação, autoria e liberdade, valorizando a diversidade de vozes e a formação ética e cidadã.
Abstract: This dissertation, Dialogism, Discursive Standardization, and the Loss of the “Right to Say” in the Standardization of ENEM Essays: An Analysis of the Participant Guide and Handbook, is linked to the research line Culture, School, and Formation of the Graduate Program in Education at the State University of Goiás (PPGE-UEG/Inhumas Campus). The study aims to analyze how the discursive norms of the National High School Examination (ENEM) influence textual production and shape participants’ possibilities for expression, considering the tensions between institutional practices, pedagogical orientations, and critical literacy. Theoretically, it is grounded in Bakhtin (2003, 2016, 2017) and Volóchinov (2021), who conceive language as a social and dialogic practice constituted through relations among subjects and the historical conditions of production. It also dialogues with Street (1984, 1993, 2014), Kleiman (1995), and Soares (2023), whose contributions discuss literacy models and their pedagogical implications for the teaching of writing. In the linguistic field, the research relies on Antunes (2009) and Marcuschi (2008, 2012) to understand textual genres, written production, and the functioning of language in real contexts of use. The study further considers the broader context of educational policies for the teaching of Portuguese, particularly the guidelines set forth by the Brazilian National Common Curricular Base (BNCC). This is a qualitative investigation grounded in historical-dialectical materialism, employing documental, textual, and discursive analysis procedures. The corpus comprises the ENEM Participant Guide, the Participant Handbook, and two sample essays released by the exam. The study seeks to answer the following question: How does the discursive standardization present in the ENEM Participant Guide and Handbook contribute to the homogenization of essays and to the loss of students’ “right to say”? The findings show that ENEM’s official documents establish a model of writing based on clarity, objectivity, and a supposed neutrality, promoting discursive homogenization and restricting the “right to say”, as they shape the writer-subject according to institutional parameters that minimize the expression of individual experiences, memories, and perspectives. Nonetheless, the study also identifies possibilities for resistance and the construction of a critical literacy that recognizes writing as a social practice and a space for authorship. Finally, the research demonstrates that discursive standardization constitutes a form of symbolic violence by limiting students’ critical positioning, while also highlighting the need for pedagogical practices that reframe writing as a space of creation, authorship, and freedom valuing the diversity of voices and fostering ethical and civic formation.
Palavras-chave: Exame Nacional do Ensino Médio
Letramento crítico
Formação discursiva
Padronização textual
National Secondary Education Examination
Critical literacy
Discursive formation
Textual standardization
Área(s) do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
EDUCACAO::TOPICOS ESPECIFICOS DE EDUCACAO
Idioma: por
País: Brasil
Instituição: Universidade Estadual de Goiás
Sigla da instituição: UEG
Departamento: UEG ::Coordenação de Mestrado em Educação
Programa: UEG ::Programa de Pós-Graduação Stricto sensu em Educação
Citação: CLARA, Daniella Silva Araújo. Dialogismo, Normatização Discursiva e a perda do “Direito de Dizer” na padronização das redações do Enem: uma análise do Guia e da Cartilha do Participante. 2026. 142 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Unidade Universitária de Inhumas, Universidade Estadual de Goiás, Inhumas, 2025.
Tipo de acesso: Acesso Aberto
URI: http://www.bdtd.ueg.br/handle/tede/1898
Data de defesa: 5-Dez-2025
Aparece nas coleções:Mestrado em Educação
Mestrado em Educação

Arquivos associados a este item:
Arquivo Descrição TamanhoFormato 
[Dissertação] Daniella Silva Araújo Clara.pdfDissertação de Mestrado em Educação2,05 MBAdobe PDFBaixar/Abrir Pré-Visualizar


Os itens no repositório estão protegidos por copyright, com todos os direitos reservados, salvo quando é indicado o contrário.